Agricultor do Ceará descobre possível jazida de petróleo após perfurações em busca de água
10 de março de 2026 / 08:00
Foto: Divulgação

Um agricultor do Ceará, Sidrônio Moreira, fez uma descoberta inesperada enquanto tentava encontrar água para abastecer sua casa. Durante a perfuração de poços em seu sítio localizado em Tabuleiro do Norte, ele encontrou um líquido escuro e viscoso, semelhante ao petróleo, em vez da água que buscava. Sidrônio realizou duas tentativas de perfuração, mas em ambos os casos, o resultado foi o mesmo: um líquido preto e denso, sem vestígios de água.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024 e está sob investigação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Testes laboratoriais preliminares indicaram que a amostra do líquido possui características físico-químicas similares ao petróleo encontrado em jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. Contudo, a confirmação oficial ainda depende da análise da ANP.

Sidrônio relatou que, ao chegar à sua propriedade, decidiu furar um poço devido à escassez de água. Ele e sua esposa investiram suas economias e fizeram um empréstimo para financiar a perfuração. No entanto, ao invés de água, encontraram o material desconhecido. O agricultor expressou seu desapontamento, afirmando: “Quando eu cheguei aqui, sem água, eu disse: ‘Vou furar um poço’. Chamei minha esposa, fizemos um empréstimo do nosso dinheiro, da aposentadoria, e furei esse poço. Só que não deu água, deu foi esse material”.

A substância foi coletada na localidade de Sítio Santo Estevão, situada na zona rural de Tabuleiro do Norte, uma área que faz parte do Vale do Jaguaribe, próximo à Bacia Potiguar. Esta bacia é conhecida por conter petróleo em várias de suas áreas, sendo dividida em blocos para exploração, os quais são leiloados para empresas do setor.

Embora a área onde Sidrônio reside não esteja dentro de um bloco de exploração de petróleo, a descoberta ocorreu a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo. Após encontrar o líquido em um poço de 40 metros de profundidade, a família contatou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que enviou uma amostra para análise. Os testes realizados pelo IFCE, em colaboração com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), confirmaram que o material é uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades similares ao petróleo da Bacia Potiguar.

A família de Sidrônio também preparou um dossiê para a ANP, que é responsável pela regulamentação e fiscalização da exploração de petróleo no Brasil. A ANP, após ser contatada, abriu um procedimento administrativo para investigar a situação, mas ainda não forneceu informações detalhadas sobre as próximas etapas.

Apesar da descoberta do líquido, a família de Sidrônio ainda não conseguiu encontrar água e enfrenta dificuldades financeiras para continuar a busca. Eles têm recorrido à compra de água de carro-pipa para abastecer a propriedade. A situação é ainda mais preocupante, pois a perfuração inadequada de um poço pode resultar em contaminação do lençol freático.

Sidrônio e sua família aguardam a resposta da ANP para saber como proceder em relação à descoberta e, ao mesmo tempo, continuam a enfrentar o desafio da falta de água em sua propriedade. O filho de Sidrônio, Saullo, expressou a esperança de que, se a exploração de petróleo for confirmada, isso possa gerar uma renda extra que possibilite a solução do problema hídrico na região.