
A economia da Bahia começa a desenhar uma nova geografia produtiva.
Durante décadas, a Região Metropolitana de Salvador concentrou grande parte da atividade industrial, dos investimentos e da geração de riqueza do estado.
Agora, esse eixo começa a mudar.
Um estudo do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) mostra que o crescimento econômico baiano vem avançando cada vez mais para o interior.
O movimento é impulsionado principalmente por:
• agronegócio
• logística
• construção civil
• mineração
• energias renováveis
• indústria de transformação
Segundo o levantamento “Desconcentração Produtiva e Interiorização”, a participação da Região Metropolitana de Salvador no Produto Interno Bruto (PIB) baiano caiu significativamente nas últimas décadas.
Em 2009, a RMS representava:
• 48,3% do PIB estadual
Em 2021, esse percentual caiu para:
• 39,4%
A mudança revela uma descentralização gradual da atividade econômica no estado.
O Oeste da Bahia aparece como um dos principais protagonistas dessa transformação.
Regiões como:
• Barreiras
• Luís Eduardo Magalhães
• São Desidério
se consolidaram como importantes polos ligados ao agronegócio nacional.
A expansão da produção de:
• soja
• milho
• algodão
impulsionou novos investimentos em:
• processamento industrial
• armazenagem
• logística
• geração de energia
Segundo o estudo, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães ampliaram sua participação no PIB estadual em 6,1 pontos percentuais.
Outro destaque é Feira de Santana.
A cidade fortaleceu sua posição como principal entroncamento rodoviário da Bahia e passou a atrair grandes grupos industriais.
Empresas como:
• Nestlé
• PepsiCo
• Pirelli
• Belgo Bekaert
• Vipal
expandiram operações na região.
Hoje, a indústria de transformação representa mais de 73% dos empregos industriais locais.
Além da localização estratégica, Feira se beneficia da integração logística entre Nordeste, Sudeste e interior baiano.
No sudoeste do estado, Vitória da Conquista também vem ampliando sua relevância econômica.
Entre 2006 e 2024, o município praticamente triplicou o número de empregos industriais.
A cidade se consolidou como polo regional em áreas como:
• comércio
• serviços
• construção civil
• indústria alimentícia
• móveis
• confecções
O crescimento acompanha o avanço populacional e a expansão urbana da região.
Especialistas avaliam que a Bahia vive um processo semelhante ao observado em outros estados brasileiros:
a desconcentração gradual das atividades produtivas.
O avanço da infraestrutura, das rodovias, da tecnologia e da logística permitiu que novas regiões ganhassem competitividade econômica.
Hoje, parte dos investimentos busca:
• menor custo operacional
• disponibilidade territorial
• proximidade com cadeias produtivas
• incentivos regionais
• expansão logística
O economista Danilo Peres, responsável pelo estudo da FIEB, destaca que a interiorização não deve enfraquecer Salvador, mas fortalecer o conjunto da economia baiana.
Segundo ele, o avanço regional exige:
• investimentos em infraestrutura
• educação técnica
• inovação tecnológica
• crédito produtivo
• políticas industriais regionalizadas
A ideia é ampliar competitividade respeitando as características econômicas de cada território.
A transformação econômica baiana revela um fenômeno cada vez mais visível no Nordeste:
o crescimento começa a deixar de depender exclusivamente das capitais.
O interior ganha protagonismo.
Novos polos produtivos surgem.
E a economia regional passa a operar de forma mais distribuída, integrada e conectada às novas dinâmicas do Brasil contemporâneo.