Bahia vive nova geografia econômica com avanço industrial para o interior
18 de maio de 2026 / 16:59
Foto: Divulgação

A economia da Bahia começa a desenhar uma nova geografia produtiva.

Durante décadas, a Região Metropolitana de Salvador concentrou grande parte da atividade industrial, dos investimentos e da geração de riqueza do estado.

Agora, esse eixo começa a mudar.

Um estudo do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) mostra que o crescimento econômico baiano vem avançando cada vez mais para o interior.

O movimento é impulsionado principalmente por:
• agronegócio
• logística
• construção civil
• mineração
• energias renováveis
• indústria de transformação

Salvador perde participação relativa no PIB

Segundo o levantamento “Desconcentração Produtiva e Interiorização”, a participação da Região Metropolitana de Salvador no Produto Interno Bruto (PIB) baiano caiu significativamente nas últimas décadas.

Em 2009, a RMS representava:
• 48,3% do PIB estadual

Em 2021, esse percentual caiu para:
• 39,4%

A mudança revela uma descentralização gradual da atividade econômica no estado.

Oeste baiano se consolida como potência agroindustrial

O Oeste da Bahia aparece como um dos principais protagonistas dessa transformação.

Regiões como:
• Barreiras
• Luís Eduardo Magalhães
• São Desidério

se consolidaram como importantes polos ligados ao agronegócio nacional.

A expansão da produção de:
• soja
• milho
• algodão

impulsionou novos investimentos em:
• processamento industrial
• armazenagem
• logística
• geração de energia

Segundo o estudo, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães ampliaram sua participação no PIB estadual em 6,1 pontos percentuais.

Feira de Santana amplia força industrial

Outro destaque é Feira de Santana.

A cidade fortaleceu sua posição como principal entroncamento rodoviário da Bahia e passou a atrair grandes grupos industriais.

Empresas como:
• Nestlé
• PepsiCo
• Pirelli
• Belgo Bekaert
• Vipal

expandiram operações na região.

Hoje, a indústria de transformação representa mais de 73% dos empregos industriais locais.

Além da localização estratégica, Feira se beneficia da integração logística entre Nordeste, Sudeste e interior baiano.

Vitória da Conquista acelera crescimento

No sudoeste do estado, Vitória da Conquista também vem ampliando sua relevância econômica.

Entre 2006 e 2024, o município praticamente triplicou o número de empregos industriais.

A cidade se consolidou como polo regional em áreas como:
• comércio
• serviços
• construção civil
• indústria alimentícia
• móveis
• confecções

O crescimento acompanha o avanço populacional e a expansão urbana da região.

Interiorização muda lógica econômica da Bahia

Especialistas avaliam que a Bahia vive um processo semelhante ao observado em outros estados brasileiros:
a desconcentração gradual das atividades produtivas.

O avanço da infraestrutura, das rodovias, da tecnologia e da logística permitiu que novas regiões ganhassem competitividade econômica.

Hoje, parte dos investimentos busca:
• menor custo operacional
• disponibilidade territorial
• proximidade com cadeias produtivas
• incentivos regionais
• expansão logística

Desafio será crescer sem desequilibrar o estado

O economista Danilo Peres, responsável pelo estudo da FIEB, destaca que a interiorização não deve enfraquecer Salvador, mas fortalecer o conjunto da economia baiana.

Segundo ele, o avanço regional exige:
• investimentos em infraestrutura
• educação técnica
• inovação tecnológica
• crédito produtivo
• políticas industriais regionalizadas

A ideia é ampliar competitividade respeitando as características econômicas de cada território.

Bahia entra em nova fase econômica

A transformação econômica baiana revela um fenômeno cada vez mais visível no Nordeste:
o crescimento começa a deixar de depender exclusivamente das capitais.

O interior ganha protagonismo.

Novos polos produtivos surgem.

E a economia regional passa a operar de forma mais distribuída, integrada e conectada às novas dinâmicas do Brasil contemporâneo.