Blocos de carnaval utilizam camisas com estampas criativas para atrair foliões
11 de fevereiro de 2026 / 08:47
Foto: Divulgação

As camisas de blocos de carnaval em Pernambuco têm se transformado em verdadeiros símbolos de identidade e conexão entre os foliões, desafiando a ideia de que essas peças são meramente simples ou informais. Com estampas que incorporam elementos das artes plásticas e diversas simbologias, as agremiações locais demonstram que a moda carnavalesca vai muito além do tradicional abadá.

Um exemplo notável é a camiseta da troça carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos, que ganhou notoriedade ao ser usada pelo personagem de Wagner Moura no filme “O Agente Secreto”. Essa peça não apenas representa a agremiação, mas também se tornou um objeto de desejo para muitos, evidenciando que as camisas de carnaval contam histórias e fazem homenagens.

Um caso emblemático é o do bloco Escuta Levino, fundado em 1997, que este ano homenageia o Maestro Lessa, falecido em 2025, aos 89 anos. Lessa, que por décadas liderou uma das maiores orquestras de frevo de Olinda, teve sua contribuição reconhecida com a frase “Evoé Lessa” estampada na camisa oficial do bloco. O diretor do Escuta Levino, Lucas Correia, enfatiza a importância dessa homenagem: “Ele foi parceiro nosso por muitos anos e essa foi a nossa forma de homenagear o maestro Lessa”.

De acordo com o professor de design e pesquisador Hugo Cavalcanti, a crescente demanda por camisas de blocos reflete uma identificação mais profunda dos foliões com o carnaval. “É como se eu quisesse dizer que, na minha identidade, tem algo que está naquele bloco. Eu quero marcar que entendo do frevo, entendo sua origem e me alinho”, afirma.

Para o carnaval de 2026, o Escuta Levino planeja uma temática circense, que será refletida em suas camisas. O Bloco da Saudade, fundado em 1974, também homenageará a Escola Pernambucana de Circo, e suas camisas estão em alta demanda. Izabel Bezerra, presidente do Bloco da Saudade, destaca: “Todo ano a procura é grande, imensa, pelas nossas camisas. E a gente procura preservar a questão cultural e as cores do carnaval”.

A venda dessas camisas é crucial para a sustentabilidade financeira das agremiações, contribuindo significativamente para a realização dos desfiles e a remuneração dos profissionais envolvidos. Hilton Santana, diretor de comunicação do Cariri Olindense, revela que a venda de camisas representa cerca de 30% do orçamento do bloco, fundado em 1921. Ele ressalta que a camisa se tornou um patrimônio da instituição e um objeto de desejo para os foliões, com um investimento crescente em design e criatividade para as estampas.