
O BTG Pactual manifestou preocupações crescentes em relação à estrutura de capital da Ambev, avaliando-a como ineficiente diante do novo cenário tributário brasileiro. As observações foram feitas pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, que vêm acompanhando o impacto das recentes mudanças na legislação sobre dividendos e a forma como empresas de grande porte, como a Ambev, podem ser afetadas.
Com a tributação de dividendos prevista na reforma fiscal, a Ambev passa a ter um incentivo ainda mais forte para acelerar a distribuição de lucros aos acionistas. Segundo os especialistas, a nova regra modifica a lógica tradicional de retenção de capital e exige uma reorganização estratégica para evitar perdas tributárias, reforçando a necessidade de uma gestão mais ativa do fluxo de caixa e do endividamento.
O BTG estima que, caso a Ambev adote uma postura mais agressiva na política de payouts, a companhia poderá encerrar o ano com um efeito expressivo em sua estrutura de capital. Para o banco, essa mudança não apenas contribuiria para uma otimização financeira, como também alinharia a empresa às expectativas de investidores, que tendem a buscar maior retorno diante de um ambiente fiscal mais rigoroso.
Além disso, uma estratégia de distribuição ampliada poderia, segundo os analistas, corrigir desequilíbrios existentes na alocação de recursos da Ambev, hoje vista como excessivamente conservadora. Em um mercado competitivo e sujeito a pressões inflacionárias e tributárias, a eficiência na gestão do capital próprio ganha relevância extra, tornando políticas de dividendos mais robustas uma possível vantagem estratégica.
Em síntese, o BTG ressalta que a combinação entre reforma tributária, sentimento do investidor e necessidades operacionais da empresa cria uma conjuntura que pode levar a Ambev a revisar sua postura histórica em relação ao uso do caixa. Uma política de dividendos mais acelerada, avaliam os analistas, seria não apenas uma resposta às mudanças fiscais, mas também um movimento capaz de fortalecer a atratividade da companhia no mercado acionário.