Crescimento de 250% na produção de etanol no Maranhão com nova usina em Balsas
26 de agosto de 2025 / 19:14
Foto: Divulgação

A produção de etanol no Maranhão está prestes a passar por uma transformação significativa, com a nova usina Inpasa, localizada em Balsas, programada para entrar em operação em 2025. Esta unidade terá a capacidade de processar 1 milhão de toneladas de milho anualmente, o que poderá elevar a produção do estado de 168 milhões para mais de 600 milhões de litros de etanol, resultando em um impressionante crescimento de 250%.

Esse avanço na cadeia produtiva é impulsionado por iniciativas do governo estadual, como a regulamentação da venda direta de etanol hidratado das usinas para os postos de combustíveis, aprovada recentemente. Essa medida tem como objetivo reduzir os custos e facilitar o acesso do consumidor ao biocombustível.

Além dos benefícios econômicos, a produção de biocombustíveis também está atrelada à geração de créditos de carbono (CBIOs), que são comercializados na Bolsa de Valores. Esses créditos atestam a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e contribuem para a descarbonização da economia.

RenovaBio e certificações no Maranhão

Atualmente, o Brasil conta com 334 unidades certificadas no programa RenovaBio, das quais 292 são produtoras de etanol. No Maranhão, duas usinas já obtiveram essa certificação: a Agro Serra, em São Raimundo das Mangabeiras, e a TG Agro Industrial, em Aldeias Altas. Entre 2020 e 2025, o volume de etanol anidro e hidratado comercializado no país foi de 159,6 milhões de metros cúbicos, com aproximadamente 985,8 mil m³ oriundos do Maranhão. A certificação nacional é alta, com mais de 90% da produção reconhecida, enquanto no Maranhão esse índice é de cerca de 70%. A meta do Brasil para 2025 é emitir 40,39 milhões de CBIOs, com exigências para as distribuidoras de combustíveis.

A Agro Serra já registrou 527.783 CBIOs desde sua certificação. Cíntia Ticianeli, sócia-administradora e diretora Comercial e Financeira da empresa, destaca que o RenovaBio representa um marco na descarbonização da matriz energética do Brasil. “Essa iniciativa não apenas ajuda a reduzir as emissões de poluentes e melhora a qualidade do ar, mas também gera empregos e fortalece a balança comercial ao diminuir a dependência de combustíveis fósseis”, afirmou.

Inpasa Brasil: liderança em etanol de milho

A Inpasa Brasil, maior produtora de etanol de grãos da América Latina, também se destaca no contexto do RenovaBio. Fundada em 2006 e consolidada no Brasil desde 2019, a empresa opera como uma biorrefinaria integrada, produzindo etanol, DDGS (grãos secos de destilaria para nutrição animal), óleo vegetal, energia elétrica renovável e biogás, com capacidade instalada superior a 5,8 bilhões de litros por ano.

Certificada no RenovaBio desde 2021, a Inpasa emitiu cerca de 1,3 milhão de CBIOs em 2024. Christopher Davies Junior, diretor de sustentabilidade da empresa, enfatiza que a adesão ao programa valoriza a produção sustentável e melhora os processos industriais e agrícolas. “Cada litro de etanol com menor intensidade de carbono representa uma escolha consciente pelo futuro. O RenovaBio fortalece a cadeia de bioenergia, estimula a inovação e cria um círculo virtuoso entre produção, consumo e meio ambiente”, avaliou.

Davies também ressaltou que a empresa investe continuamente em automação, otimização de processos industriais e uso inteligente de recursos energéticos, integrando práticas sustentáveis no campo ao modelo industrial, o que impacta positivamente na eficiência energética da empresa, essencial para a emissão de CBIOs.

Impacto social e ambiental no Maranhão

Cíntia Ticianeli destacou que a população se beneficia de uma produção com baixa pegada de carbono, mas enfatizou a importância de escolhas conscientes de consumo. “Nada adianta você ter um carro elétrico se esse veículo é alimentado por uma energia não renovável e que utiliza baterias produzidas com metais importados. Além disso, a produção de energia limpa gera postos de trabalho ao longo da cadeia produtiva, o que é crucial para estados como o Maranhão, que apresentam um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo”, alertou.

Além da Inpasa, Agro Serra e TG Agro, o Maranhão abriga outras usinas, como a Alternativa, em Tuntum, e a Maity Bioenergia, em Campestre do Maranhão. Exceto pela unidade de Balsas, que utiliza milho como matéria-prima, as demais produzem etanol a partir da cana-de-açúcar.

Mudanças recentes, como o aumento da mistura de etanol na gasolina — que passou de 27% para 30% — e a aprovação da venda direta das biorrefinarias para os postos, devem estimular ainda mais o consumo do biocombustível. Milton Campelo, presidente do Sindicato das Indústrias de Cana, Açúcar e Álcool do Maranhão e Pará (Sindicanálcool), acredita que outras indústrias locais também têm potencial para ingressar no mercado de crédito de carbono.