Crescimento de 6,2% na produção de etanol no Nordeste mesmo com redução na moagem de cana
3 de junho de 2026 / 10:27
Foto: Divulgação

A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Nordeste caminha para o encerramento com um sinal que merece atenção de empresários, investidores e formuladores de políticas públicas. Embora a moagem tenha recuado 1,4%, totalizando 48,96 milhões de toneladas até o fim de abril, a produção de etanol segue em trajetória de crescimento.

Mais do que uma variação estatística, o movimento sugere uma transformação estratégica do setor sucroenergético nordestino, cada vez mais alinhado à demanda por combustíveis renováveis e à nova economia de baixo carbono.

O desafio estrutural: produzir mais valor com menos matéria-prima

A redução da moagem reflete desafios conhecidos do setor, como condições climáticas adversas, oscilações de produtividade agrícola e custos crescentes de produção.

Por outro lado, o aumento da produção de etanol mostra que o mercado está buscando maior eficiência econômica e energética.

O desafio para o Nordeste não é apenas produzir mais cana.

É produzir mais valor agregado por tonelada processada.

Esse movimento aponta para uma mudança importante na lógica do setor, onde eficiência industrial e inovação passam a ser tão relevantes quanto a expansão da área plantada.

Oportunidades para o Nordeste

A expansão do etanol abre uma janela estratégica para a região em um momento em que o mundo busca reduzir emissões e diversificar suas matrizes energéticas.

Entre as oportunidades que surgem estão:

• fortalecimento da bioeconomia regional;

• atração de investimentos para biocombustíveis;

• integração com projetos de hidrogênio verde;

• geração de empregos qualificados na agroindústria;

• ampliação da participação nordestina na transição energética.

O setor sucroenergético deixa de ser apenas uma atividade agrícola para assumir papel relevante na agenda de energia limpa e segurança energética.

O que precisa acontecer agora

Para transformar essa oportunidade em vantagem competitiva permanente, será necessário avançar em algumas frentes.

Entre elas:

• modernização industrial das usinas;

• ampliação da pesquisa agrícola;

• estímulo à inovação em biocombustíveis;

• melhoria da infraestrutura logística;

• políticas de incentivo à descarbonização.

A capacidade de combinar produtividade agrícola com eficiência energética poderá definir o posicionamento do Nordeste na nova economia verde.

O que observar daqui para frente

• Crescimento da demanda nacional por etanol e biocombustíveis.

• Novos investimentos em bioenergia e combustíveis sustentáveis.

• Integração entre setor sucroenergético e projetos de hidrogênio verde.

• Evolução da produtividade agrícola diante das mudanças climáticas.

• Expansão de políticas públicas voltadas à transição energética.

No fim, a principal mensagem desta safra talvez não esteja na queda da moagem, mas na mudança de direção do setor. O crescimento do etanol sugere que o Nordeste começa a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na produção de energia renovável, tema que pode influenciar investimentos, competitividade e desenvolvimento regional ao longo da próxima década.