
O filme O Agente Secreto foi rodado em 30 locações diferentes no Recife, destacando-se pela atenção aos detalhes que recriam o Brasil de 1977, período da ditadura militar. Com um total de 50 diárias de filmagem ao longo de dez semanas, o longa, que conta com a atuação de Wagner Moura, está concorrendo a três categorias no Globo de Ouro, que ocorrerá no próximo domingo (11).
A produção envolveu cerca de 200 figurantes e 169 veículos antigos, incluindo 41 fuscas, todos gentilmente cedidos por colecionadores de diversas partes do Brasil. Além do Recife, as filmagens ocorreram em São Paulo e Brasília, com destaque para locações como o antigo Aeroporto dos Guararapes, o Instituto de Medicina Legal (IML) e um posto de gasolina, que compõem a cena de abertura do filme.
A Vitrine Filmes, responsável pela produção e distribuição do filme, destacou que até os equipamentos de gravação foram criteriosamente escolhidos. Para garantir um visual autêntico e granulado, foram utilizadas câmeras Alexa 35 com lentes anamórficas do acervo Panavision, de Los Angeles.
O governo de Pernambuco, a prefeitura do Recife e instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foram parceiros fundamentais, facilitando ações como o fechamento de ruas e o uso de prédios históricos para as filmagens. Mariana Jacob, diretora de produção, enfatizou que a intenção era mostrar a cidade em sua essência: “A gente não estava se propondo a fazer um filme de época dentro de estúdio. […] Tentamos entregar o máximo possível com retirada de postes, bicicletas urbanas, mudanças de fachadas… um trabalho bem minucioso”.
A capital pernambucana, cidade natal do diretor Kleber Mendonça Filho, foi o principal cenário do filme. O Parque Treze de Maio, no Centro, aparece em uma das sequências mais marcantes, onde a Perna Cabeluda, uma figura do folclore regional, é utilizada como metáfora para a violência da ditadura. Outros locais emblemáticos, como o Cinema São Luiz, as pontes sobre o Rio Capibaribe e o Ginásio Pernambucano, também fazem parte do longa, escolhidos estrategicamente para manter a atmosfera da década de 1970.
Mariana Jacob ressaltou a importância das locações: “A gente conseguiu encontrar ótimas estruturas, prédios ainda inteiros, de pé para que esse trabalho fosse feito […] para que a direção de arte possa trabalhar esses pequenos elementos de texturas, de cores, de formas, de móveis, dos veículos na rua”.
Em cartaz há dois meses, O Agente Secreto já atraiu mais de 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros e conquistou 48 prêmios, incluindo Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes. Recentemente, o filme foi agraciado com o prêmio de Melhor Filme Internacional no Critics Choice Awards, um feito inédito para o Brasil.
O longa não apenas recebeu elogios da crítica, mas também se tornou um marco para muitos que participaram da produção. Antoliano Azevedo, proprietário do fusca amarelo utilizado pelo protagonista, expressou sua alegria: “Acho que o meu Fusca foi escolhido por causa da originalidade, pelas peças originais, pela aparência da época. Vou carregar isso para o resto da minha vida”.
No Centro do Recife, a lanchonete Chá Mate Brasília, localizada no bairro de Santo Antônio, também fez parte da história do filme. Para se adaptar ao cenário, a tradicional lanchonete alterou sua decoração e agora oferece um novo sabor inspirado na produção. José Suevânio, o proprietário, comentou sobre as mudanças: “A gente teve que tirar os adesivos, equipamentos… Essa máquina aqui, ainda botou uma mais antiga. O balcão permaneceu, algumas placas ficaram. […] Acho que chamou atenção os azulejos, as placas, e o layout, que é antigo, é o DNA do meu pai”.