Estudo de 10 anos revela a descoberta de antigo anfíbio herbívoro brasileiro
27 de março de 2026 / 09:01
Foto: Divulgação

Nova espécie de anfíbio, conhecida como Tanyka amnicola, foi descoberta em fósseis datados de aproximadamente 280 milhões de anos, em uma pesquisa que se estendeu por mais de uma década. O estudo, que envolveu análises minuciosas de fósseis encontrados nos estados do Piauí e Maranhão, revelou detalhes fascinantes sobre essa nova espécie herbívora.

Os nove fósseis, todos pertencentes a mandíbulas, foram localizados entre 2012 e 2023 nas cidades de Nazária (PI), Timon (MA) e Pastos Bons (MA). O coordenador da pesquisa, Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), destacou a necessidade de paciência e precisão ao longo do trabalho, que não encontrou fósseis semelhantes no Brasil. Para confirmar a nova espécie, a equipe precisou consultar museus na América do Norte e na Europa.

O processo de identificação dos fósseis incluiu etapas rigorosas de limpeza, preparação e consolidação, com a colaboração de técnicos internacionais. Cada mandíbula foi analisada individualmente, garantindo uma identificação precisa.

Pesquisadores de várias partes do mundo contribuíram para o estudo, incluindo cientistas dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido.

Análise das Mandíbulas

Embora um esqueleto completo ainda não tenha sido encontrado, todas as mandíbulas apresentaram características semelhantes, confirmando que pertencem à mesma espécie. A pesquisa revelou traços únicos do anfíbio, como dentes projetados lateralmente e uma mandíbula irregular, indicando que o animal se alimentava de folhas e frutas — um comportamento inédito entre anfíbios fósseis.

Longo Processo de Pesquisa

Juan Carlos ressaltou que descobertas desse tipo demandam tempo e rigor científico. “Todo o processo é longo e caro, mas necessário para apresentar resultados confiáveis”, afirmou o pesquisador.

O estudo foi publicado em 17 de março na revista científica internacional Proceedings of the Royal Society B. Os cientistas enfatizam que essa pesquisa reforça o potencial do Nordeste brasileiro para novos estudos paleontológicos e contribui para uma melhor compreensão da evolução dos anfíbios.