
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trouxe novas informações sobre o impacto da epidemia de zika vírus, que ocorreu há dez anos e resultou em um aumento significativo de casos de microcefalia. A pesquisa analisou o perfil de 843 crianças nascidas entre 2015 e 2018 em nove cidades das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, com uma concentração maior nos estados de Pernambuco e Bahia.
Os dados revelaram que 20,4% das crianças (172) desenvolveram microcefalia após o nascimento, à medida que cresceram. Dentre as crianças monitoradas, 384 (63,9%) apresentaram microcefalia em grau severo, necessitando de cuidados multidisciplinares. Este é considerado o maior estudo já realizado sobre a microcefalia relacionada ao zika, conforme afirmado pela UPE.
Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista científica PLOS Global Public Health, no dia 29 de dezembro. Das 843 crianças avaliadas, 601 foram diagnosticadas com microcefalia ao nascer, sendo que 217 apresentavam a condição em grau moderado. O infectologista Demócrito Miranda, professor da UPE e um dos autores do estudo, destacou que a pesquisa revelou um espectro de gravidade na condição, com a maioria das crianças apresentando microcefalia grave e desproporção craniofacial.
O estudo também revelou que muitas crianças que desenvolveram microcefalia após o nascimento inicialmente apresentavam cabeças de tamanho normal. No entanto, danos cerebrais causados pela infecção pelo zika impediram o crescimento adequado do cérebro, resultando em microcefalia pós-natal. O professor Miranda explicou que essas alterações só se tornaram perceptíveis com o tempo, à medida que o crescimento do cérebro não acompanhou o desenvolvimento do corpo.
As famílias dessas crianças necessitam de apoio multidisciplinar para garantir uma melhor qualidade de vida. Miranda enfatizou a importância de um sistema de saúde organizado para oferecer assistência contínua, afirmando que “quanto mais você deixa de fazer intervenções, mais esse estado se agrava”.
O estudo também identificou deformidades e anomalias comuns entre as crianças afetadas, incluindo:
O professor Miranda observou que a pesquisa buscou padronizar a coleta de dados e oferecer uma análise mais abrangente sobre a microcefalia, permitindo uma caracterização mais detalhada da condição em 843 crianças, em contraste com estudos anteriores que eram baseados em grupos menores.