Governo do RN anuncia licença para usina de hidrogênio verde avaliada em R$ 12 bilhões
22 de abril de 2026 / 19:44
Foto: Divulgação

Uma nova era para a energia sustentável se inicia no Rio Grande do Norte com a concessão de uma licença ambiental pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do estado (Idema), que possibilita a construção de uma usina de hidrogênio verde. O projeto, avaliado em R$ 12 bilhões, promete impulsionar a economia local, embora ainda não tenha prazos definidos para início das obras e operação.

A licença foi revelada na última terça-feira (21) pelo diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, durante a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, realizada na Alemanha. O documento, que é uma licença prévia, abrange o Projeto Morro Pintado, que será instalado em Areia Branca, no litoral potiguar. Embora a licença tenha sido entregue à empresa responsável no dia 10 de abril, sua apresentação em um evento internacional visa atrair investidores e parceiros.

A empresa Brazil Green Energy planeja desenvolver uma planta de hidrogênio verde e amônia verde com capacidade instalada de 500 MW, prevendo uma produção anual de 80 mil toneladas. O governo do estado destacou que a apresentação da licença em Hannover fortalece a segurança jurídica e a capacidade institucional do Rio Grande do Norte para receber projetos de grande escala.

O potencial do hidrogênio verde no RN

De acordo com o governo, a licença ambiental foi concedida após a aprovação de uma resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), que regulamentou a produção de hidrogênio verde no estado. Recentemente, foi publicado o Atlas de Hidrogênio Verde, que fornece informações técnicas sobre a produção desse combustível no RN.

Ranieri Rodrigues, pesquisador e engenheiro civil do Instituto Senai de Inovação e Energias Renováveis, afirmou que o documento demonstra que o estado possui um potencial de produção que, utilizando apenas 20% das áreas aptas, pode superar a demanda projetada para 2040, que é de mais de 20 milhões de toneladas anuais, enquanto a demanda esperada é de 11 milhões.

Sobre a questão do uso da água para a produção de hidrogênio verde, Rodrigues esclareceu que o mapeamento considerou a utilização de água de reúso e dessalinizada, evitando a dependência de mananciais superficiais ou subterrâneos.

Entendendo o hidrogênio verde

O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, frequentemente encontrado combinado com outros elementos, como no caso da água (H₂O). Para utilizá-lo isoladamente, é necessário um processo de separação conhecido como eletrólise, que utiliza uma corrente elétrica para dividir o hidrogênio do oxigênio.

Embora essa tecnologia não seja nova — o hidrogênio foi utilizado nos foguetes do programa Apollo da NASA —, atualmente, a maior parte da produção mundial ainda depende do gás natural, um combustível fóssil. No entanto, com a transição energética em andamento, que visa substituir combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, o hidrogênio verde se destaca como uma alternativa promissora.

A produção do hidrogênio verde também se dá através da eletrólise, mas a diferença crucial é que a eletricidade utilizada provém de fontes renováveis, como solar ou eólica, resultando em um produto com baixíssimas emissões de carbono.