IBGE revela que 70% da população do Rio Grande do Norte vive com até um salário mínimo
3 de dezembro de 2025 / 22:55
Foto: Divulgação

O Brasil alcançou os menores índices de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica do IBGE, com dados reveladores sobre a situação econômica da população. Em 2024, 70,10% dos potiguares viviam com até um salário mínimo, o que representa uma queda significativa de 5,91 pontos percentuais em relação a 2023, quando esse número era de 76,01%.

Embora o percentual no Rio Grande do Norte esteja abaixo da média da Região Nordeste, que é de 73,23%, ainda está acima da média nacional, que é de 53,41%. O IBGE também revelou que 23,1% da população potiguar tinha um rendimento per capita entre um quarto e meio salário mínimo, enquanto 35,4% recebiam entre metade e um salário mínimo.

Por outro lado, 28,5% dos potiguares tinham renda superior a um salário mínimo em 2024, sendo que 16,6% estavam na faixa de mais de 1 a 2 salários. Apenas 2,2% da população potiguar recebia mais de 5 salários mínimos. O levantamento também indicou uma diminuição no número de pessoas sem rendimento, que caiu para 0,9% em 2024, comparado a 1,3% no ano anterior.

Pobreza em Queda

Em um marco histórico, 33,5% da população do Rio Grande do Norte vivia com rendimento domiciliar per capita abaixo da linha de pobreza em 2024, pela primeira vez desde 2012, este índice ficou abaixo dos 40%. Em 2023, a pobreza afetava 43,8% da população potiguar, resultando em uma redução de 10,3 pontos percentuais em um ano e 14,6 pontos ao longo de uma década. Com isso, o estado mantém a menor proporção de população pobre do Nordeste.

Os dados foram extraídos da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2025, do IBGE, que considera a linha de pobreza estabelecida pelo Banco Mundial, equivalente a US$ 6,85 por dia ou R$ 692 por mês para o RN. O percentual de potiguares vivendo em extrema pobreza também caiu, passando de 6,4% em 2023 para 5,2% em 2024.

Na Região Metropolitana de Natal, 25,7% da população estava abaixo da linha de pobreza e 5,1% abaixo da linha de extrema pobreza em 2024, mostrando uma melhoria em relação aos 40,1% e 5% do ano anterior, respectivamente. Na capital, o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza caiu de 31,9% para 21,7%, enquanto a extrema pobreza reduziu de 4,3% para 3,8%.

Impacto dos Programas Sociais

O estudo do IBGE sugere que a pobreza e a extrema pobreza no Rio Grande do Norte seriam significativamente maiores sem a existência de programas de transferência de renda. Se não fossem esses benefícios, a proporção de pessoas em extrema pobreza em 2024 teria alcançado 16,2%, em vez dos 5,2% observados. Da mesma forma, a pobreza teria afetado 40,4% da população potiguar.

Na Região Metropolitana de Natal, a situação seria ainda mais grave, com 31,2% da população abaixo da linha de pobreza e 12,6% em extrema pobreza sem os programas sociais.

Desigualdade de Renda

Além disso, o levantamento revelou disparidades significativas na renda entre diferentes grupos. Homens brancos no Rio Grande do Norte tiveram um rendimento médio de R$ 2.013 por mês em 2024, 32,75% superior ao rendimento médio de mulheres pretas ou pardas, que foi de R$ 1.354. A diferença também se reflete em relação aos homens pretos ou pardos, que receberam em média R$ 1.365, representando uma diferença de 32,20% a menos que os homens brancos.

Em comparação com as mulheres brancas, que ganharam em média R$ 1.738, a diferença é menor, mas ainda significativa, com uma disparidade de 13,67%. Esses dados indicam um aumento da desigualdade de renda entre homens brancos e outros grupos ao longo da última década, evidenciando a necessidade de políticas que promovam a equidade econômica.