IBGE revela que estado do NE lidera taxa de analfabetismo no Brasil em 2024
3 de dezembro de 2025 / 22:58
Foto: Divulgação

Alagoas se destaca em 2024 como o estado com a maior taxa de analfabetismo do Brasil, atingindo 14,2% da população com 15 anos ou mais sem habilidades de leitura e escrita. Este índice não apenas supera a média do Nordeste, que é de 11,1%, mas também é mais do que o dobro da média nacional, fixada em 5,3%. Os dados foram divulgados pelo IBGE na Síntese de Indicadores Sociais, nesta quarta-feira (3).

Comparado a 2023, quando a taxa era de 14,1%, o estado apresentou estabilidade, enquanto tanto o Brasil quanto o Nordeste mostraram uma queda nos índices de analfabetismo.

Entre as capitais, Maceió se destaca com a maior taxa do país, apresentando 6,4% de analfabetos. Outras cidades que seguem na lista são:

  • Rio Branco: 5,6%
  • Macapá e Fortaleza: 5,1%
  • Teresina: 4,8%
  • João Pessoa: 4,5%
  • Recife: 4,1%
  • Aracaju: 3,9%

As taxas mais baixas são observadas em Florianópolis e Porto Alegre (1,0%), Rio de Janeiro (1,2%), Curitiba e Belo Horizonte (1,3%), Campo Grande e Vitória (1,6%), além de São Paulo, Salvador e Manaus (1,7%).

No que diz respeito à frequência escolar, o ensino fundamental em Alagoas mostra um quadro positivo, com mais de 94% das crianças de 6 a 14 anos frequentando a escola. Entretanto, a frequência líquida entre jovens de 15 a 17 anos, que corresponde ao ensino médio, cai para 69,8%. O percentual de estudantes no ensino superior é de apenas 18,2% entre a faixa etária de 18 a 24 anos, o menor do país.

Neison Freire, chefe da Seção de Divulgação de Informações do IBGE em Alagoas, comentou que, apesar dos avanços no acesso à educação, o estado ainda enfrenta desafios históricos, como a defasagem de escolaridade e a baixa taxa de conclusão dos estudos. Ele destacou que a taxa de analfabetismo é um dos principais problemas a serem enfrentados, afetando tanto a capital quanto o interior.

A pedagoga Yasmin Araújo analisou a situação e apontou que a falta de continuidade nas políticas públicas e a dificuldade de acesso para as comunidades vulneráveis são fatores que agravam o problema. Ela também ressaltou que a evasão escolar é consequência de um sistema educacional que não atende às necessidades dos jovens, que muitas vezes precisam trabalhar e enfrentam custos de permanência na escola.

Yasmin sugeriu algumas soluções para combater o analfabetismo, como:

  • Alfabetização efetiva na idade certa
  • Formação continuada para professores
  • Reforço escolar obrigatório
  • Programas acessíveis para jovens e adultos fora da escola

A Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) reconheceu que a taxa de analfabetismo é inaceitável, mas enfatizou que o estado está em uma trajetória de sucesso, tendo reduzido a taxa em mais de 40% desde 2011, quando era de aproximadamente 25%. Para acelerar essa redução, o governo lançou o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) – Edição Saldos Remanescentes, que visa alfabetizar 14.000 jovens e adultos até 2025, com foco em áreas rurais.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Maceió também se comprometeu a reduzir os índices de analfabetismo. Em nota, a Semed informou que o índice de analfabetismo na capital caiu de 8,4% em 2022 para 6,4% em 2024, demonstrando um progresso significativo.

A Semed está investindo em programas de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) e desenvolvendo ações para garantir a alfabetização na idade certa, como o programa “Alfabetiza Maceió”.

A cidade foi reconhecida por sua evolução na educação, com um aumento médio de 9,8% nos últimos quatro anos, conforme o Prêmio Band Cidades Excelentes 2024. A Semed reafirmou seu compromisso em oferecer uma educação inclusiva e de qualidade para todos.