Liderança feminina das mães de santo no Dia das Mães fortalece tradições e acolhimento nos terreiros
11 de maio de 2026 / 08:00
Foto: Divulgação

A figura da “mãe” nos terreiros de religiões de matriz africana é fundamental, representando tanto acolhimento quanto liderança espiritual. As mães de santo, além de desempenharem papéis essenciais nas comunidades, também acompanham a trajetória de seus “filhos de santo”, sendo carinhosamente chamadas de mães. Neste domingo (9), Dia das Mães, essas lideranças ganham ainda mais visibilidade por sua importância na orientação e formação dentro das casas de axé.

De acordo com Larissa de Oxum, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, localizado no bairro do Córrego do Jenipapo, na Zona Norte do Recife, “falar sobre mãe, que é uma segunda mãe, é falar sobre a importância do acolhimento, do poder, do ensinamento”. Larissa, que ocupa a função de iyapetebí, é responsável pelo cuidado e proteção dos afilhados, além de apoiar as atividades diárias da casa. Ela ressalta que Oxum, sua orixá, ensina sobre a força das mulheres em um mundo que muitas vezes é cruel com elas.

No terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, a maioria dos cargos é ocupada por mulheres, como explica Mércia Gadelha, filha da casa. “O terreiro é como se fosse uma família tradicional. Tem mãe, tem pai, tem madrinha”, afirma.

Na casa das Iyás

No terreiro frequentado por Mércia, as funções são intimamente ligadas ao termo “Iyá” ou “Yá”, que significa “mãe” em iorubá e designa figuras de liderança feminina, reforçando o matriarcado presente nessas tradições. As responsáveis pela alimentação são chamadas de iabassê, reconhecidas como as “cozinheiras dos orixás”, enquanto as que cuidam da comunicação e das questões sociais são as iyaegbé, atuando como conselheiras da ialorixá ou do babalorixá.

“A casa é regida por mulheres. Yá é um termo que traduz ‘mãe’. Eu tenho mais de 10 anos de feita na casa e uma hora a gente vira yá. Primeiro a gente é irmã mais velha, depois a gente vira yá. É um prazer muito grande saber e respeitar, porque as yás que nós temos aqui traduzem respeito”, conta Mércia.

Para Júnior de Ajagunã, babalorixá do terreiro, a presença feminina é central para a estrutura e a força espiritual da casa, especialmente nas tradições ligadas às yabás, orixás femininas. “Essa relação das yabás, das mulheres, vem do culto aos orixás Nanã, Yewa, Oxum, Iemanjá, Iansã, que são as yabás, as mulheres que protegem. Sem a mulher dentro do culto, não existe o axé positivo”, conclui.