Marinha do Brasil resgata navio africano à deriva após quase dois meses
31 de março de 2026 / 12:00
Foto: Divulgação

Um navio africano, o NW AIDARA, que estava à deriva em alto-mar por quase dois meses, foi resgatado na última sexta-feira (27) e atracou no Porto de Fortaleza, no Ceará. A operação de resgate foi realizada pela Marinha do Brasil e anunciada nesta segunda-feira (30).

O navio-tanque, que pertence a Togo e conta com 11 tripulantes, estava à deriva desde 5 de fevereiro devido a uma falha no sistema hidráulico. A Marinha recebeu a primeira notificação sobre a situação do navio em 25 de fevereiro, mas inicialmente ele estava fora da jurisdição brasileira, sob responsabilidade de Dakar, em um trecho entre a costa do Nordeste brasileiro e a África Ocidental.

Problemas técnicos e resgate

De acordo com a Marinha do Brasil, o problema ocorreu quando a mangueira hidráulica do navio rompeu, causando um vazamento de óleo hidráulico e danos à engrenagem de acionamento do leme. Isso comprometeu o controle do navio, que começou a derivar continuamente até entrar na área marítima sob a jurisdição do Brasil.

Assim que o NW AIDARA entrou na área de responsabilidade do Salvamar Nordeste, o Centro de Busca e Salvamento do Nordeste, a Marinha acionou o Serviço de Busca e Salvamento. O Capitão de Fragata Marcos Moreira Bezerra, encarregado da seção de Operações do Comando do 3º Distrito Naval, destacou que o objetivo principal é resgatar vidas em risco no mar, além de evitar que a embarcação à deriva comprometa a segurança da navegação.

Condições precárias da tripulação

Durante o resgate, a Marinha monitorou a movimentação de navios nas proximidades do NW AIDARA e estabeleceu comunicação com a tripulação, fornecendo mantimentos e água. A operação foi coordenada pela Marinha em Natal e pela Capitania dos Portos do Ceará, em colaboração com a comunidade marítima local. O navio estava avariado, com escassez de alimentos e sem comunicação via satélite ou rádio de alta frequência, dependendo apenas de comunicações VHF com navios próximos.

Intervenções e tentativas de reparo

No dia 1º de março, o Navio Mercante YK NEWPORT, orientado pela Marinha, se aproximou do NW AIDARA, estabelecendo comunicação e realizando atendimento médico via telemedicina. A tripulação informou que estava bem e tentaria fabricar uma nova engrenagem de acionamento a bordo. O comandante do navio africano mencionou que, se não conseguissem concluir o reparo até 8 de março, entrariam em contato com o Brasil para solicitar assistência. No entanto, a Marinha não recebeu mais notícias e o problema persistiu.

A situação do navio se tornava crítica, com riscos de encalhe e possíveis impactos ambientais devido à carga transportada. Esses fatores reforçaram a urgência da operação de resgate.

O resgate efetivo

No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para interceptar o NW AIDARA, avaliar as condições da tripulação e fornecer suprimentos, enquanto o navio Corveta Caboclo partiu de Salvador (BA) em direção ao navio africano. Dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal (RN), resgatou o navio e o conduziu para o Porto de Fortaleza.

O Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, ressaltou que as ações de busca e salvamento realizadas pela Marinha do Brasil foram bem-sucedidas, garantindo a segurança da navegação e prevenindo a poluição hídrica. Ele enfatizou a importância da integridade física e psicológica das 11 vidas resgatadas, que em breve poderão retornar para seus lares.