
O Ministério da Saúde deu início, nesta semana, à implementação de um programa inovador que visa capacitar famílias e cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outras deficiências no Brasil. O país se destaca por ser o primeiro da América Latina a incorporar esse treinamento como uma política pública.
Este programa, denominado Caregiver Skills Training (CST), é uma iniciativa internacional desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Unicef, já sendo aplicado em mais de 30 países. O objetivo é fornecer estratégias práticas para os pais, auxiliando no cuidado diário e no desenvolvimento infantil, além de promover intervenções precoces de qualidade, mesmo antes do diagnóstico de TEA.
O treinamento prático inaugural ocorreu no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), localizado em Macaíba, na Grande Natal, e contou com a participação de três formadores internacionais da OMS. Durante essa fase, 24 profissionais foram capacitados para atuar como supervisores na implementação do programa em todo o Brasil. Eles iniciaram sua formação virtual no ano passado e devem concluir o processo em junho deste ano.
No treinamento, os supervisores participaram de aulas teóricas e aplicaram os conhecimentos adquiridos com famílias e crianças. Robervânia Souza, uma das mães participantes, relatou que seu filho de 2 anos, que apresenta dificuldades na fala, conseguiu pronunciar novas palavras após apenas dois dias de interação com os profissionais. Ela expressou sua emoção ao ver a evolução do filho, que começou a se comunicar de maneira mais efetiva.
A fonoaudióloga Luana Aprígio, que também esteve presente no treinamento, destacou o impacto positivo que o programa já está gerando nas famílias e nas crianças, evidenciando a importância da capacitação e do acompanhamento contínuo.
O Ministério da Saúde planeja que os supervisores formem 240 instrutores, que, por sua vez, passarão por uma formação adicional de seis a sete meses. Cada estado terá seu instrutor, que será responsável por capacitar facilitadores, profissionais que conduzirão as atividades com as famílias.
A expectativa é que cerca de 1,3 mil famílias sejam beneficiadas ainda durante a fase de formação em 2026, com um plano de expansão que visa alcançar até 72 mil famílias em todo o Brasil até 2027.
Arthur Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, enfatizou a importância do trabalho precoce com crianças que apresentam deficiências ou TEA, ressaltando que a estimulação adequada pode prevenir prejuízos futuros em diversas áreas, como saúde e educação.
O programa faz parte das ações do Programa Agora Tem Especialistas e está alinhado ao Novo Viver sem Limite, dentro da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no SUS. A adesão ao programa será voluntária para estados e municípios, com um investimento previsto de cerca de R$ 13 milhões até 2030 para sua implementação e capacitação de profissionais.
Em 2026, aproximadamente R$ 2 milhões serão destinados ao início das ações, segundo informações do Ministério da Saúde.