
O impasse atual envolvendo o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul trouxe novamente ao centro do debate um tema estrutural que o Brasil ainda enfrenta com dificuldade: a necessidade de maior integração comercial internacional como instrumento para elevar a produtividade, ampliar a competitividade e aumentar a renda real da população. Diante das resistências europeias, a reação mais imediata tem sido a de frustração e crítica à postura do bloco, acompanhada da expectativa de que as negociações avancem para um desfecho mais favorável ao Mercosul.
No entanto, o episódio expõe uma discussão mais profunda e recorrente sobre a estratégia de inserção do Brasil na economia global. A dependência excessiva de acordos pontuais e a lentidão na abertura de mercados contrastam com a experiência de países que adotaram políticas mais consistentes de integração comercial e colhem, hoje, ganhos significativos em eficiência produtiva, inovação tecnológica e crescimento sustentado.
Esse cenário levanta questões cruciais sobre os custos e benefícios de manter uma economia relativamente fechada, protegida por tarifas elevadas, barreiras regulatórias e baixa concorrência externa. Embora tais mecanismos sejam frequentemente justificados como formas de proteger a indústria nacional, especialistas alertam que, no longo prazo, o isolamento tende a reduzir incentivos à inovação, limitar ganhos de produtividade e encarecer bens e serviços para consumidores e empresas.
A discussão sobre a abertura comercial como vetor de crescimento econômico torna-se ainda mais relevante em um ambiente global marcado por cadeias produtivas integradas, avanços tecnológicos acelerados e intensa competição internacional. Economias mais abertas tendem a absorver conhecimento, tecnologia e boas práticas de gestão com maior rapidez, além de ampliar mercados para seus produtos, estimulando investimentos e geração de empregos de maior valor agregado.
No caso brasileiro, a baixa participação no comércio internacional em relação ao tamanho da economia evidencia um potencial ainda pouco explorado. A ausência de uma estratégia clara e contínua de integração limita o acesso a mercados consumidores mais exigentes, reduz a pressão por modernização da indústria e compromete a capacidade do país de se posicionar de forma competitiva nas cadeias globais de valor.
Especialistas apontam que o fechamento econômico pode restringir oportunidades de desenvolvimento, reduzir o dinamismo do setor produtivo e dificultar a incorporação de inovações — fatores essenciais para sustentar o crescimento da renda e melhorar o padrão de vida da população. Nesse sentido, o impasse entre União Europeia e Mercosul deve ser visto não apenas como um revés diplomático, mas como um alerta para a necessidade de um debate mais amplo e estratégico sobre o papel da integração comercial internacional no projeto de desenvolvimento do Brasil.
Mais do que aguardar decisões externas, o país precisa avançar internamente na construção de consensos sobre reformas, competitividade, produtividade e abertura econômica, criando condições para que acordos comerciais sejam não apenas assinados, mas efetivamente aproveitados como instrumentos de transformação econômica e social.