Pequenos negócios impulsionam o crescimento no Nordeste nos 413 anos da Praia Grande aos novos eixos
8 de setembro de 2025 / 17:13
Foto: Divulgação

A Praia Grande, em São Luís, é reconhecida como o berço do comércio local, especialmente durante os séculos XVIII e XIX. Com o Largo do Comércio e o Mercado das Tulhas como principais pontos de venda, a região se tornou um hub para grãos e produtos maranhenses, atraindo comerciantes que se conectavam com rotas comerciais para a Europa. Caixeiros viajantes e pregoeiros desempenhavam papéis cruciais na divulgação das mercadorias, criando uma atmosfera vibrante de comércio.

Hoje, a Praia Grande continua a influenciar a dinâmica comercial da cidade, que é Patrimônio da Humanidade reconhecido pela Unesco. Contudo, a urbanização e o crescimento populacional têm gerado novos eixos comerciais na Região Metropolitana, com a construção de nove shoppings e um aumento significativo de galerias e centros comerciais, refletindo a modernização da cidade, que ainda preserva seu charme.

Empreendedores como Neide Baldez, da Tok Africano, têm raízes que se conectam a essa história. Neide, que já atuou na Praia Grande, agora colabora com 20 outras mulheres na Loja Colaborativa Feira MA Preta, no Shopping Rio Anil. Sua trajetória é emblemática do crescimento econômico de São Luís, que completou 413 anos em 8 de setembro. Ela observa que a presença de mulheres empreendedoras, que lideram 47,4% dos negócios na capital, é um fator importante para o desenvolvimento econômico, assim como o crescimento do afroempreendedorismo e da economia criativa.

Além disso, a digitalização e o comércio online estão transformando o cenário, fazendo com que as práticas tradicionais de venda se adaptem às novas realidades do mercado. Neide destaca que, apesar dos desafios como a falta de incentivos e a valorização dos produtos locais, a história e a cultura de São Luís oferecem um solo fértil para a inovação e o empreendedorismo.

Dados do Sebrae de agosto de 2025 revelam que os pequenos negócios representam quase 95% das empresas na cidade, com 112.145 empresas ativas, sendo 100.591 delas pequenos negócios. As microempresas são a maioria, com 42,8%, seguidas pelos MEIs (39,6%) e empresas de pequeno porte (7,21%). O setor de serviços lidera a economia local, representando 53,6% das atividades, enquanto o comércio ocupa 33,6%.

Os segmentos com maior presença de pequenos negócios incluem o varejo de vestuário, serviços de beleza, promoção de vendas e alimentação. Bairros como Renascença, Turu e Centro são os que mais concentram essas atividades, com uma forte influência do Complexo Portuário de São Luís.

O perfil dos empreendedores mostra que 54,6% são homens e 47,4% são mulheres, com uma predominância feminina no setor de serviços. A faixa etária média dos MEIs é de 39 anos, enquanto as microempresas e empresas de pequeno porte têm médias de 44 e 45 anos, respectivamente. Entre os jovens empreendedores, 65,6% têm entre 18 e 46 anos.

Hugo Goulart, do Complexo Salvatore, é uma voz otimista sobre o futuro econômico de São Luís, destacando o potencial do turismo e da economia de serviços. Ele acredita que um ambiente de negócios mais favorável poderia impulsionar ainda mais o empreendedorismo na cidade.

Nilma Marinanto, da Soar Autopeças, enfrenta desafios logísticos, mas vê esperança na expansão do Porto do Itaqui, que promete melhorar o fluxo de mercadorias.

Claudia Martins, da Innovaeco, trabalha com negócios inovadores e sonha com uma São Luís mais sustentável, onde a economia circular seja uma realidade.

O economista José Cursino Moreira, do Sebrae, ressalta a importância de políticas públicas que favoreçam os pequenos negócios, afirmando que São Luís possui oportunidades significativas em áreas como serviços de educação, saúde, lazer e turismo. Com seu rico patrimônio cultural e histórico, a cidade tem potencial para se destacar ainda mais na economia criativa, gerando empregos e novas oportunidades de negócios.