Porto de Natal entra na rota bilionária do gado vivo e pode transformar agro do Rio Grande do Norte
13 de maio de 2026 / 15:30
Mapa aprova 1ª Estação de Pré-Embarque de gado vivo para exportação no RN -  Tribuna do Norte
Foto: Divulgação

O Rio Grande do Norte deu um passo estratégico para entrar em um dos mercados mais lucrativos do agronegócio global. O Porto de Natal realizará entre os dias 24 e 25 de junho um embarque-teste de 3,3 mil cabeças de gado vivo com destino ao Líbano, operação que poderá consolidar o terminal potiguar como nova porta de exportação animal do Nordeste.

Caso a operação seja aprovada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado poderá iniciar embarques regulares de animais vivos para países do Oriente Médio e Norte da África, mercados que movimentam cerca de R$ 9 bilhões por ano.

A expectativa do governo potiguar é que a atividade tenha potencial para injetar até R$ 1 bilhão anuais na economia estadual.

RN quer conquistar espaço em mercado dominado pelo Pará

Atualmente, o Brasil é líder mundial na exportação de gado vivo.

Segundo dados da consultoria Agrifatto, o país encerrou 2024 com embarque recorde de 947,8 mil bovinos vivos, alta superior a 40% em relação ao ano anterior.

A projeção do setor para 2025 é ultrapassar 1,5 milhão de cabeças exportadas.

Hoje, o Pará concentra cerca de 85% das operações nacionais, principalmente pelo Porto de Barcarena.

Agora, o Rio Grande do Norte quer capturar parte desse mercado utilizando uma vantagem considerada decisiva: localização geográfica.

Proximidade com Oriente Médio reduz custos logísticos

O principal diferencial competitivo do Porto de Natal é a menor distância marítima em relação aos países compradores.

Enquanto embarques realizados no Sul do Brasil podem levar até 21 dias para chegar ao Oriente Médio, a operação partindo do RN reduz o trajeto para algo entre 11 e 13 dias.

Na prática, isso representa:
• menor consumo de combustível
• redução de custos operacionais
• menos tempo de manejo animal
• maior eficiência logística
• ganho competitivo internacional

A redução do tempo de viagem também aumenta a atratividade comercial para importadores internacionais.

Estrutura do RN foi preparada para o mercado internacional

O estado possui atualmente duas Estações de Pré-Embarque (EPE) registradas no Mapa, estruturas obrigatórias para operações desse tipo.

Uma unidade está localizada em Alto do Rodrigues, no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), enquanto a outra funciona em São Gonçalo do Amarante, de onde sairão os animais do embarque-teste.

Cada estrutura recebeu cerca de R$ 3,4 milhões em investimentos privados para adequação às exigências sanitárias internacionais.

Nas estações, os animais passam por:
• quarentena
• acompanhamento veterinário
• controle sanitário
• alimentação supervisionada
• hidratação monitorada

A operação contará com acompanhamento presencial da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro).

Mercado árabe amplia oportunidades para o Nordeste

Além do Líbano, países como:
• Kuwait
• Emirados Árabes Unidos
• Marrocos
• Arábia Saudita

já demonstraram interesse na compra de animais potiguares.

O crescimento da demanda internacional ocorre em um momento de fortalecimento do agronegócio nordestino e ampliação da infraestrutura logística regional.

A entrada do RN nesse mercado também pode gerar efeitos indiretos sobre:
• pecuária
• transporte
• armazenagem
• logística portuária
• produção rural
• comércio exterior
• geração de empregos

Agro nordestino ganha novo corredor de exportação

O avanço da operação em Natal reforça uma transformação silenciosa que vem ocorrendo no Nordeste.

Além da força tradicional da agricultura e da pecuária, a região amplia participação em setores ligados à exportação, logística e infraestrutura agroindustrial.

Nos últimos anos, estados nordestinos passaram a disputar investimentos em:
• portos
• ferrovias
• energia
• irrigação
• agroindústria
• corredores logísticos

A entrada do Porto de Natal na rota internacional do gado vivo pode consolidar o Rio Grande do Norte como um novo eixo estratégico do agro exportador brasileiro.