
Ana Clara Ardisson, uma jovem de 26 anos, fez história ao se tornar a primeira pessoa com síndrome de Down a se formar em uma instituição pública de Alagoas. Natural de Minas Gerais, Ana Clara viveu a maior parte de sua vida em Alagoas e recentemente celebrou sua colação de grau como tecnóloga em Hotelaria pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal).
A cerimônia de formatura, que ocorreu neste mês, foi marcada pela emoção, já que Ana Clara foi escolhida oradora da turma. Sua trajetória de dois anos e meio na instituição foi repleta de desafios, mas também de conquistas e aprendizados. Em entrevista, ela destacou a importância da graduação em sua vida: “Fiquei muito feliz por mostrar que somos capazes e conseguimos tudo que sonhamos e orgulhosa por superar desafios e alcançar um objetivo importante na minha vida”.
Durante o curso, Ana Clara enfrentou dificuldades, especialmente na expressão de ideias e na execução de múltiplas tarefas simultaneamente. No entanto, a jovem contou com uma rede de apoio essencial, que incluiu sua mãe, professores e colegas. “Tive alguns desafios que tive que enfrentar com muita força de vontade, ajuda da minha mãe que esteve sempre ao meu lado, professores e colegas. Sempre tive facilidade para fazer amizade e isso ajudou muito.”
Além de sua conquista pessoal, Ana Clara vê sua formatura como um símbolo de capacidade e inclusão. Ela acredita que sua trajetória pode inspirar outras pessoas com deficiência intelectual, enfatizando que “persistência é o segredo, e não desistir na primeira dificuldade”.
Durante sua graduação, Ana Clara também acumulou experiências profissionais significativas. Ela foi estagiária no setor de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), tornando-se a primeira pessoa com síndrome de Down a ocupar essa função no órgão. Atualmente, ela trabalha como recepcionista em outra repartição pública e continua a investir em sua formação. Ana Clara está matriculada em um curso de Libras, visando aprimorar seu atendimento ao público surdo.
Com essa trajetória, Ana Clara Ardisson não apenas rompe barreiras, mas também abre caminho para uma maior inclusão e representatividade no ensino superior e no mercado de trabalho.