Produção de petróleo e gás no Rio Grande do Norte atinge menor nível em quatro décadas, segundo ANP
21 de fevereiro de 2026 / 07:00
Foto: Divulgação

A produção de petróleo e gás no Rio Grande do Norte (RN) alcançou, em dezembro de 2025, o nível mais baixo dos últimos 40 anos, conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A produção diária no estado caiu para 33 mil barris, a menor marca desde a década de 1980, em comparação com uma média de 36 mil barris por dia em outubro do mesmo ano.

Em uma análise mais abrangente, a ANP aponta que a produção há uma década era quase o dobro do volume atual. Para o Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro-RN), essa diminuição é resultado de uma mudança no perfil da exploração local. A saída da Petrobras de campos em terra e águas rasas permitiu que empresas privadas de menor porte assumissem as operações.

Marcos Brasil, presidente do Sindipetro-RN, destacou que a baixa produção se deve à falta de investimentos das principais produtoras de petróleo no estado. Ele afirma que, se houver os investimentos necessários em 33 blocos ofertados pela ANP, a produção pode ser elevada para 70 a 80 mil barris por dia, gerando entre 15 e 20 mil empregos.

No Polo Macau, uma das principais áreas produtoras do estado, uma empresa do setor informou que, em janeiro, produziu cerca de 19 mil barris por dia e está investindo em tecnologia para reverter a tendência de declínio na produção. Os campos maduros do RN, que operam há décadas, exigem o uso de tecnologias mais complexas e custosas para manter a produção.

O setor de petróleo e gás é crucial para a economia do RN, representando mais de 40% do PIB industrial do estado, conforme a Federação das Indústrias do RN (Fiern). Jean-Paul Prates, chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), ressalta que a queda na produção coincide com a diminuição do preço internacional do petróleo no final de 2025, o que impacta diretamente o caixa do governo estadual e das prefeituras de cidades como Mossoró, Macau e Guamaré.

Esses municípios, onde o setor é vital para o comércio e a geração de empregos, são os mais afetados pela crise. O governo estadual prevê um investimento de R$ 3 bilhões na área até 2030, e especialistas acreditam que um aumento nos investimentos e a exploração de petróleo em águas ultraprofundas na margem equatorial podem contribuir para a recuperação do setor.

Criste Jones, administrador na área do petróleo, enfatiza a importância de continuar os investimentos para melhorar a produção, destacando que alguns postos ainda produzem 98% de água, mas permanecem viáveis. Ele também menciona que a exploração da margem equatorial, que já começou, promete trazer mais produção de petróleo ao estado e um aumento nos royalties.