Transnordestina recebe 33,5 mil toneladas de trilhos para avanço da obra
17 de março de 2026 / 10:00
Foto: Divulgação

As obras da ferrovia Transnordestina avançam rapidamente, alcançando 80% de execução no trecho do Ceará, um dos maiores projetos de infraestrutura logística do Nordeste brasileiro. No Piauí, a construção entre Eliseu Martins e São Miguel do Fidalgo está em fase de implantação, com a recente entrega de 33,9 mil toneladas de trilhos que são essenciais para a conclusão do projeto.

Essa ferrovia é considerada crucial para o escoamento da produção agrícola e mineral da região, prometendo um impacto significativo no desenvolvimento econômico do Piauí ao melhorar a conexão do estado com os principais corredores de exportação. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou que as obras estão atualmente concentradas no Ceará, uma vez que o primeiro trecho no Piauí já foi finalizado. A extensão do trecho até Eliseu Martins está em andamento, e operações de teste já estão ligando Simplício Mendes ao sertão central do Ceará, transportando grãos para abastecer a bacia leiteira e as granjas locais.

O carregamento recente de trilhos chegou ao Porto do Pecém, trazido pelo navio Spruce Arrow, com material fabricado na China. Este carregamento inclui 23.585 barras de trilhos, cada uma com 24 metros de comprimento, que estão passando por um processo de soldagem antes de serem instaladas. Essa quantidade permitirá a construção de aproximadamente 283 quilômetros de linha férrea na via principal.

Além do material recém-chegado, a planta industrial de Salgueiro, em Pernambuco, possui um estoque que garante a montagem completa da ferrovia. Parte dos trilhos será utilizada no lote 11, que conecta a linha ao Porto do Pecém, onde será montado um canteiro de obras para apoiar a superestrutura da ferrovia. O restante será destinado aos outros lotes em execução.

A Transnordestina está organizada em três fases principais:

  • A primeira fase vai do Porto do Pecém (CE) até São Miguel do Fidalgo (PI), passando por Salgueiro (PE), com cerca de 1.040 km.
  • A segunda fase cobre 166 km entre Paes Landim e Eliseu Martins (PI), inteiramente dentro do estado.
  • A última etapa liga Salgueiro (PE) ao Porto de Suape (PE), com 547 km.

Apesar do foco atual nas obras do Ceará, a Transnordestina é um eixo logístico vital para o Piauí. A ferrovia facilitará o transporte de cargas do estado, especialmente produtos do agronegócio e da mineração, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade da produção local nos mercados nacional e internacional.

Com a nova conexão ao Porto do Pecém, os produtores piauienses terão acesso a uma rota mais eficiente para exportação, beneficiando principalmente as cadeias produtivas de grãos, calcário, gipsita e outros insumos agrícolas. O corredor logístico também deve estimular a instalação de indústrias e centros de distribuição ao longo de sua extensão.

Além do impacto econômico direto, o projeto gera empregos nas regiões atendidas e fortalece a integração logística entre os estados do Nordeste, criando novas oportunidades de investimento e desenvolvimento regional.

As operações ferroviárias já estão em funcionamento desde dezembro de 2025, transportando cargas como milho, sorgo, calcário agrícola e gipsita em trechos já concluídos. Atualmente, 100% das obras estão mobilizadas no Ceará, preparando a infraestrutura para a fase final de montagem dos trilhos.

Quando totalmente finalizada, a Transnordestina se consolidará como um dos principais corredores ferroviários de escoamento de produção do Nordeste, conectando áreas produtivas do interior aos portos da região e fortalecendo a competitividade econômica de estados como o Piauí.