
As vendas do comércio brasileiro registraram um recuo acumulado de 0,5% ao longo de 2025, na comparação com o desempenho observado em 2024, de acordo com dados do Índice do Varejo Stone (IVS). O indicador, de natureza privada, acompanha mensalmente a movimentação do setor varejista e serve como termômetro da atividade econômica ligada ao consumo das famílias.
Ao observar a variação anual, o cenário se mostra ainda mais desafiador: o volume de vendas caiu 1,5%, evidenciando um enfraquecimento do ritmo do comércio ao longo do ano. Esse resultado reflete um conjunto de fatores econômicos que impactaram diretamente o consumo, como o custo elevado do crédito, a inflação persistente em alguns segmentos, a pressão sobre a renda das famílias e a cautela dos consumidores diante de incertezas econômicas.
No recorte mensal, o desempenho também foi negativo. Em dezembro, tradicionalmente um dos meses mais importantes para o varejo devido às vendas de fim de ano, foi registrada uma queda de 0,9% em relação a novembro. O dado chama atenção por ocorrer em um período que historicamente apresenta aumento no consumo, impulsionado por datas comemorativas e pelo pagamento do décimo terceiro salário.
Especialistas apontam que, apesar de alguns estímulos pontuais ao consumo ao longo do ano, o comércio enfrentou dificuldades para manter um crescimento consistente. O comportamento mais cauteloso dos consumidores, aliado ao endividamento elevado das famílias, contribuiu para limitar o volume de compras, especialmente de bens não essenciais.
Os números do Índice do Varejo Stone indicam, portanto, um cenário de desaceleração do setor, que exige atenção por parte de empresários, formuladores de políticas públicas e agentes econômicos. A necessidade de estratégias mais eficazes para impulsionar as vendas, como políticas de crédito mais acessíveis, estímulos ao consumo e investimentos em inovação e competitividade, torna-se ainda mais evidente.
Diante desse contexto, o desempenho do comércio em 2025 reforça os desafios para a recuperação do crescimento nos próximos meses. A expectativa do setor é que uma melhora nas condições macroeconômicas, aliada ao fortalecimento da renda e da confiança do consumidor, possa contribuir para a retomada gradual das vendas e para um cenário mais favorável ao varejo brasileiro.